AZUL DA COR DO MAR

Este é um blog criado por duas pessoas que atravessaram o oceano atras nem sabem de que e que tem loucura suficiente pra nao parar nunca ou pra parar tudo de uma hora pra outra e fazer um monte de filhos; aqui vamos velejar …

21/10/10

TERRA À VISTA!!!!!!!

 

Ainda estamos vendo de longe, mas daqui a pouco aportamos!!!!!

 

criado por jaime.mario    14:26 — Arquivado em: Sem categoria

6/5/10

MARÉ ALTA

Pois é, chegou a primavera, com a primavera o sol, as flores, as frutas, os legumes, outros peixes, outros produtos, outras pessoas, uma renovação de astral e de paisagem. Com a primavera tb chegou a hora de montarem os restaurantes de praia aqui de Nice e, consequentemente, de abrir o Hi Beach, onde mais uma vez estou trabalhando. Tudo num ambiente colorido, alegre e promissor, pois espera-se um verão quente e cheio de gente pelas praias azzureanas.

Veio uma segunda-feira de tempo nublado e eu de folga. À noite, o chef me liga e diz que na terça vai chover e que não vamo abrir o restaurante. Mais um dia de folga. Oba, tava precisando, pois estava há 20 dias sem repouso. A terça chegou, o restaurante não abriu, a chuva avançou dia a dentro, sem muito barulho, sem muita força. Parece que a força da chuva foi sugada pelo Mediterrâneo e que este resolveu investir na eterna disputa entre as águas e as terras. Terça-feira, 04 de maio de 2010 foi dia de ataque marinho contra a brigada terrestre. Consequência: o Hi Beach e todas as praias niçoises foram devastadas, destruídas, dormiram sem existência. Pelo menos uns 2 meses pra tudo reconstruir e muito dinheiro perdido, muito empregado sem saber o que vai acontecer e muita gente assustada. Felizmente, só perdas materiais, nenhuma humana. Mas o susto foi grande.

Olha como ficou o Hi Beach:

 

 

 

 

Esta é só a minha praça na cozinha. O resto está assim tb.

:(

criado por jaime.mario    7:21 — Arquivado em: Sem categoria

17/2/10

Erosão

E não é que o homem sonhou e sentiu uma saudade de doer de quando seu corpo era imaculado e ainda não tinha se tornado refém de toda aquela erosão que o faz esfarelar e deixar seu DNA espalhado por todo o chão que é a testemunha ocular daquela massa se desfazendo.

E não é que ele acordou e se levantou ainda com o coração apertado sabendo que passaria dem frente ao espelho desviando o olhar pra poder continuar sonhando mais um pouquinho e que, quando entrasse no chuveiro, tomaria aquele banho de olhos fechados pra sonhar ainda mais e se vestiria sem se olhar e cobriria praticamente todo o corpo, usando a desculpa do frio, deixando apenas os olhos à mostra.

E ainda com o coração doendo, quando saisse, ele evitaria olhar as vitrines pra não correr o risco de encontrar mais um pedaço seu em frangalhos e, mesmo com apenas os olhos à vista, evitaria de levantá-los pra não ter que cruzar olhares que o reparassem, mesmo sabendo que não havia nada à vista de ninguém - era o hábito, no seu cotidiano costumava fugir dos olhares pra que não percebessem que ele percebera que o reparavam com olhos piedosos. Até quando via a piedade alheia, tentava não constrager o piedoso, sentindo-se culpado do embaraço do outro.

E não é que durante algumas horas ele até tentou se enganar. Sabia que não estava conseguindo, mas gostou de fingir pra si mesmo que sim. Mas houve o momento que a segurança da mentira estava tão grande que ele não resistiu ao espelho e aí ele viu mais uma erosãozinha, pequena, ali, no canto do olho, onde se hospedam as remelas durante a noite. Pois é, agora as remelas terão companhia e, sabe-se lá se a casa delas não será destruída.

E foi por ali, pela porta de saída das remelas, onde agora a erosão também germinava, que um lágrima veio avisar que ele já tinha acordado e que o sonho, na verdade, era apenas saudade ….

criado por jaime.mario    20:34 — Arquivado em: Sem categoria

20/1/10

La Cigale

Quando vejo este blog e vejo como no ano de 2009 eu postei pouco acabo me perguntando o que aconteceu que me afastou dos escritos. Acho que foi um pouco de tudo. Um pouco de vontade de não dividir a coisas, uma pouquidão de coisas a dividir, um receio de dividir mesmo. O tal do segredo é a alma do negócio tem hora que passa na cabeça da gente e nós acabamos acreditando nisso, como se fosse verdade. Às vezes esquecemos que a alma do negócio é a competência. E isso vale pra tudo, não estou falando só de trabalho, porque, aliás, a vida está longe de se resumir ao trabalho. Pelo menos pra mim. Acho que foi isso mesmo, me deixei levar pela desconfiança, pelo receio e pela idiotice de não dividir. Infelizmente todos somos vulneráveis a estas atitudes.

Vou tentar voltar a partilhar meus pensamentos. Confesso que não tenho a intenção de dividí-los todos, ainda afetado pela máxima do segredo, mas vou tentar melhorar com o tempo. E o tempo é algo que tem feito parte integrante de grande parte dos meus pensamentos. Não sei se é a idade, mas o tempo, aquele que eu podia perder à vontade num dos tópicos do início deste blog, agora começa a me atormentar. Não as horas, que em geral preocupam as pessoas muito ocupadas. O tempo que me atormenta é a meteorologia. Também não é a meteorologia das chuvas e dos sóis, que também amola as pessoas ocupadas. A meteorologia que tem me cutucado à noite é a das estações da vida. Eu nasci no inverno, pois estava no hemisfério sul do nosso terreno de vida. Bom, considerando a expectativa de vida atual, eu já estou no fim da primavera. Nem vou levar em conta a mudança de hemisfério, pois num filme de ficção científica barato poderíamos dizer que a mudança de lado altera o curso das estações acelerando os ciclos e coisas do tipo. Retornando à primavera, ela está provavelmente acabando e eu não sei se isso é bom ou ruim. Imaginava colher as rosas da vida na primavera, mas o máximo que fiz foi plantar umas sementes adubadas muito mais com esperança do que com compostos biológicos ou químicos. Acho que fui muito mais cigarra do que formiga até agora. Não que eu não tenha feito nada de útil, mas o rítmo foi mais cantado. Daí vem as coincidências da vida. A cigarra acabou parando na Provence francesa. Adivinhem qual é um dos símbolos mais fortes da região: a CIGARRA, claro, que dizem trazer sorte. Bom, e não é que a cigarra vai me acompanhar a vida toda?? Pelo menos foi isso que eu plantei. Plantei umas sementes de cigarras que espero que abram suas asas antes do fim deste ano. E, como não poderia deixar de ser, tenho que torcer pra que o tempo e as estações sejam favoráveis.

É isso, pra começar um ano que espero ter mais o que dividir, façam votos de que as cigarras voem. E cantem!!!!

criado por jaime.mario    8:22 — Arquivado em: Sem categoria

9/12/09

Incrível!!!

Se alguém conseguir assistir isso sem se emocionar, por favor nunca mais me ligue.

hand-in-hand-ballet

criado por jaime.mario    11:11 — Arquivado em: Sem categoria

25/9/09

“Vem chegando o …. outono”

Passou rápido. Muito rápido. Mesmo se durante o verão, em alguns momentos a sensação era de que ele não acabava nunca. A saudade já está cutucando a memória, como é seu costume. Foi sem muita pretensão que eu cheguei naquela cozinha esquisita, embaixo do calçadão de Nice, com vista pro mar. No primeiro dia, entrei e fui calorosamente recebido por 50 kg de batatas a serem descascadas. Depois foram cenouras que eu deveria descascar e cortar em “julienne”. Alho poró, salsão silvestre (uma fantástica descoberta), beringela siciliana, bulbo de erva-doce, era legume que não acabava mais. Lava, descasca, corta, lava, descasca, corta e por aí vai. E foi. Foi tudo parar nas panelas que eu passei a orquestrar. Mais uns dias e o lava, descasca e corta continuou, mas, desta vez, com peixes. Por descasca, entenda-se retirar as escamas, claro. E foi robalo, dourado, bacalhau (fresquinho), salmão, foi lula, foi polvo, foi camarão, foi mexilhão, vôngole, tudo lavado, descascado e cortado por estas minhas mãos que, aliás, nunca mais serão as mesmas. Em cada marca, cada cicatriz (e são muitas, de queimaduras terríveis e cortes banais) vai um pouquinho deste romance de verão. Por vezes me pego olhando as marcas em minhas mãos uma noiva abandonada que olha para o anel presenteado pelo noivo que partiu. A Michelle brinca que a cozinha é minha amante. E é mesmo, uma paixão fogosa, que não apaga. Voltando aos meus peixes lindos, fresquinhos, todos pescados, nada de peixe de criação, tudo com nadadeiras grandes de quem teve que enfrentar fortes correntes em alto mar. Este é um detalhe importante: todos legumes orgânicos, todos peixes selvagens, carnes, ovos, leite, tudo quanto tinha dentro do restaurante era orgânico. Até o detergente era orgânico. Enfim, depois de muito lavar, descascar e cortar peixes, também me vi os colocando em panelas, fornos, planchas, grelhas, enfim, fazendo com que a perda de suas vidas tenha valido à pena. Tem um ditando francês que diz “Le poulet, le prepare bien, sinon il sera mort por rien”, ou seja, o frango, prepare-o bem, senão ele terá morrido por nada”. E era isso que eu pensava todas as vezes que preparava algo. Mais uns dias e lá estava eu preparando ele mesmo: o poulet. Frango, né, mas pequenininho, um galetinho. E jarret de cordeiro e filet mignon. A carta do restaurante é assim. Pequena, mas cheia de gourmandise. E foi assim. Tudo começou devagarinho, abraçado em batatas e tudo terminou como uma locomotiva, passando os dias rodeado de panelas, pedidos, calor de mais de 60º e eu orquestrando sozinho o piano (pra quem não sabe, na cozinha chamamos piano o “complexo” de fogão, forno, plancha, grelha, placa quente, enfim, o instrumento onde construímos nossa obra, nossa arte e que está na foto aí acima). E, foi assim que eu passei o verão, oficiando meu artesanato do gosto.

E o verão se foi. Já sinto saudades. Mas o outono tá chegando e com ele as abóboras, os cogumelos, os maquereaux (peixe delicioso que eu não sei o nome em português), as maças, as uvas, enfim, uma gama de novos produtos com os quais hei de compor novas óperas!!!!

P.S: Esta era a vista com a qual eu trabalhava. Dá ou não dá pra ter saudade!!!!!!!!

criado por jaime.mario    6:41 — Arquivado em: Sem categoria

5/7/09

Amigos Fortalezas

 

Foi meio assim, por acaso. Eu já tinha reparado na menina bonita que se vestia quase sempre de saia, usava brincos de coquinho, sempre estava com os pés bem feitos e de havaianas. Eu tinha quase certeza que ela era brasileira. Mas eu morria de vergonha de perguntar se ela era da terrinha.  Nós duas enfrentávamos a mesma fila da escola maternal para buscar as crianças de quem tomávamos conta. E num belo dia, ela já estava indo embora quando eu tomei coragem, corri atrás dela e perguntei:“Vous êtes brésilienne?” Ela me olhou curiosa e respondeu: “oui”. Sorri  e disse: “ Eu também.” Pronto! E lá, já se passaram quase três anos.

É gozado, quando a gente para pra pensar, se caso a minha vergonha tivesse me vencido, eu teria deixado passar a oportunidade de conhecer essas pessoas maravilhosas. Explico: com o conhecimento da menina das havaianas, nós ganhamos de brinde, um pacote de novas pessoas. O marido dela, a irmã dela, o cunhado dela, o sobrinho dela e alguns amigos dela. Vixe Maria, descobrimos tantas afinidades em comum! Como nós mineiros, eles adoram um dedinho de prosa em volta de uma boa mesa repleta de gostosuras. Nós passamos esses quase três anos, nos deliciando e nos acabando de tanto comer, conversar, beber, engordar, emagrecer, chorar de rir. Mas tudo passou tão rápido que, quando a gente se deu conta, estávamos sentados na platéia, fazendo parte da torcida e emocionados com a conquista Alexandriana.

Tudo correu bem. Depois de tanto esforço, de tanto trabalho árduo, de milhares de quilômetros de distância  dos entes amados, de solas de sapatos dissolvidas (literalmente), eles conseguiram! Ela, a companheira fiel, guerreira, determinada, a cem por hora. Ele, o pensador, o alquimista, a bonança encarnada. Os dois, possuidores de sorrisos radiantes, que esquentam o coração da gente.

Não adianta. Não adianta vocês mudarem para o Brasil, para a China, ou seja lá  aonde esse mundão de possibilidades os levará. Não adianta milhares de quilômetros que nos separarão em matéria, pois vocês já cravaram as suas bandeiras em nossos corações e daqui, meus amigos, nem a morte vai tirá-las.

 

Amigos fortalezas, desejamos a felicidade infinita para vocês.

 

 

 

 

                                           Estaremos sempre na torcida !!

criado por jaime.mario    10:22 — Arquivado em: Sem categoria

27/5/09

PRESENTES

Sem razão nenhuma, comecei hoje a pensar em tudo que ganhei desde que atravessei o Atlântico e aportei aqui na Côte d’Azur. Ganhei muito peso, muito cabelo branco, muita aventura, muitas fotos, muitos livros, muito tempo de vida, muito susto com o preço da água, da luz e dos impostos, muita surpresa boa com o sistema social daqui, ganhei muitas pessoas (a melhor parte são as pessoas – eu ganhei pessoas que vieram do Canadá, da Rússia, da Espanha, da Alemanha, da Dinamarca, de várias partes da França, de Fortaleza, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, de Recife, do Espírito Santo, até de BH mesmo, com sotaque mineiro e tudo – enfim, pessoas maravilhosas as que eu ganhei), ganhei muito conhecimento, muito mesmo (outro dia uma amigo me apelidou de enciclopédia), ganhei uma outra língua na minha lista de maneiras de me comunicar, ganhei e ganho cada dia que passa mais cumplicidade com a Michelle, ganhei até mais intimidade com meus pais (todos eles) e com alguns amigos que eu não imagina que fossem tão próximos, ganhei alguns euros jogando no Euromillons (pena que foi pouco, mas um dia ganho o prêmio principal), ganhei elogio e cumprimentos de um príncipe, ganhei uma infinidade de coisas que eu nunca imaginei, ganhei até algumas manias típicas das gentes daqui, ganhei experiências singulares e ganhei muita estória pra contar. Ganhei tanta coisa que acaba sendo impossível de relacionar tudo. Esta semana, sentindo uma dorzinha num dedo do pé, percebi que, depois de quase 37 anos de vida, ganhei meu primeiro calo, exatamente ali no dedo médio do pé esquerdo. Até isso a vida me deu neste tempos de França.

 

É tanto presente que, um dia, vou me vestir de vermelho e sair distribuindo um pouco de tudo isso (afinal não devemos ser tacanhos), mas vou usar a chaminé de forma convencional e não como porta de entrada, hehe!!!

criado por jaime.mario    9:10 — Arquivado em: Sem categoria

5/3/09

DE VOLTA PARA O FUTURO!!!

 

 

Michel Temer na Câmara!!!

Sarney no Senado!!!

Collor poderoso!!!!

Ronaldo jogando futebol!!!!

 

Parece que entrei na máquina do Dr. Emmett L. Brown, personagem de Christopher Lloyd na trilogia cinematográfica de “DE VOLTA PARA O FUTURO”!!!!

Socorrro!!!!

Se bem que o Ronaldo do passado era melhor ….

Mas não vale o preço!!!!

Me leva de volta

criado por jaime.mario    7:10 — Arquivado em: Sem categoria

18/2/09

“Amanhã vai ser outro dia …”

 

 

 

Amanhã, quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009, poderia ser um dia como qualquer outro.

 

Mas não é.

 

Ele é o primeiro dia do resto da minha vida!!!

criado por jaime.mario    20:05 — Arquivado em: Sem categoria
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