AZUL DA COR DO MAR

Este é um blog criado por duas pessoas que atravessaram o oceano atras nem sabem de que e que tem loucura suficiente pra nao parar nunca ou pra parar tudo de uma hora pra outra e fazer um monte de filhos; aqui vamos velejar …

6/12/06

AMEAçA DE BOMBA!!!

Logo que cheguei aqui, ao entrar em um onibus, percebi adesivado em uma janela, ao lado de alguns assentos, a expressao

"RESERVADO 1o. MUTILADOS DE GUERRA, 2o. CEGOS, 3o. ACIDENTADOS DO TRABALHO E DOENTES CIVIS, 4o. MULHERES GRAVIDAS E/OU PESSOAS ACOMPANHADAS DE  CRIANçAS COM MENOS DE 4 ANOS."

Aquilo correu minha espinha como um lagartixa. Afinal eu sou um pobre brasileiro so acostumado às festas, que nunca viu a guerra do lado de ca da televisao. A guerra acabara de entrar no meu cotidiano, sem o menor pudor. Nao bastasse isso, que foi suficiente pra criar mil imagens na minha pobre mente, uma outra vez aconteceu um fato que me aproximou mais ainda da cultura da guerra. Estava eu sentado em um coletivo, repleto de nacionalidades diferentes, quando o motorista parou e o veiculo fora invadido por um senhor uniformizado de azul, portador de uma maleta metalica, que exprimia um frances quase incompreensivel (daquelas pessoas que matam a fome com as proprias palavras). O motorista grunhiu alguma coisa e o senhor, em passo acelerado, veio pelo corredor do carro e se postou frente à cadeira diante de mim. Ali estavam duas italianas que falavam como italianas, gesticulavam como italianas e levantaram-se como italianas. O senhor entao, abaixou-se, abriu sua caixa, retirou tres ou quatro objetos, manuseou uma chave de fenda e apertou tres ou quatro parafusos desobedientes. Em seguida, ordenou seus instrumentos, ergueu-se e saiu caminhando com o olhar do dever cumprido, até com um certo orgulho, parecendo mesmo um general. Antes de descer, ainda exprimiu algo, também incompreensivel, o motorista grunhiu novamente e retomamos o caminho. Tudo muito tranquilo e rotineiro. O que fez este evento merecer estas linhas foi a reaçao das italianas. Elas estavam, neste momento, brancas como alemas, mas em poucos segundos, voltaram a falar como italianas e a gesticular como italianas. Pensaram que havia uma bomba embaixo do assento que ocupavam. E o pensamento foi forte, pois nao se atreveram a voltar e cederam seus lugares a dois asiaticos que pareciam tao festeiros quanto eu e que, acho, assistiram ao evento com meus olhos. Ao sentarem, os dois risonhos apontaram e teceram algum comentario sobre o adesivo da janela ao lado deles, que trazia a frase "RESERVADO 1o. MUTILADOS DE GUERRA …"

criado por jaime.mario    12:42 — Arquivado em: Sem categoria

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