25/1/07
AZEITONAS
Sera um passaro? Um aviao? Nada disso!!! Mais rapido do que uma bala, é uma azeitona que vem nocautear meu olho. Essa cena foi frequente no meu cotidiano das ultimas semanas. Eu trabalhei numa pequena fazenda produtora de azeitonas aqui na França. Agora me diz: quem ja andou de trator na França??!!! Hahaha!!!! Galera, foi bom demais, eu acordava cedinho e deixava o nivel do mar em direçao a cerca de 500m mais proximo do céu. Nesta montanha situa-se o Champ Soleil, produtora de olivas beneficiadas na forma de pastas, conservas e azeite. La eu trabalhei colhendo azeitonas e participando um pouco da produçao destas iguarias. Nao bastasse a alegria de passar o dia todo cercado de verde e de vida silvestre (chegavamos a compartilhar o espaço entre as oliveiras com javalis selvagens -nao que fossem bravos, mas nao sao de criaçao, sao nativos da regiao), conheci pessoas bacanerrimas, como alias, em geral, sao as pessoas do campo. Os meus colegas de trabalho eram o Monsieur Duarte (portugues, da Ilha da Madeira - falador de primeira) e o Monsieur Holeg (bulgaro, de Sofia). Este ultimo era uma copia do Recruta Zero!!! Fantasticamente um desenho animado vivo, o cara era engraçadissimo. O dono do lugar, o Monsieur Henry é, até agora, o frances mais legal que conheci. Educado (coisa rara aqui), simpatico, culto, alguém com quem eu sempre aprendia algo nas conversas que mantivemos. Além deles tinha também o Emilio, primo da Michelle que me arrumou este trabalho, sua esposa Ludmila e a esposa do patron que era simplesmente a patrona.
Aprendi coisas interessantes sobre a agricultura aqui da França. A primeira grande coisa a se observar é que as propriedades sao pequenas, tendo em vista o tamanho do pais. Esta tem 7 hectares, o que, no Brasil, nao é muita coisa. Outra coisa legal é a integraçao do homem com o animal, como por exemplo o processo para limpar uma area para plantar: primeiro soltam-se carneiros no lugar para comer o mato, depois porcos para chafurdar e remexer na terra, depois galinhas para comer os restos dos porcos, limpando a area e, simultaneamente, adubando com seu proprio excremento. Foi muito interessante conhecer isso tudo.
Confesso que estou um pouco enjoado de azeitonas (afinal colhemos cerca de 8 toneladas de azeitonas), mas valeu demais esta experiencia, valeu pelos conhecimentos, pelo relacionamento, pelo prazer de trabalhar no campo, pelo dinheiro ganho e, principalmente, pelo verde, pelo sol e pelo frio na pele. Houve dias em que fazia - 1 grau e a grama estava congelada. Caminhavamos escutando o crec-crec do gelo sob nossos pés. Mas o abraço do sol que nos aquecia, mesmo com a temperatura baixa, era maravilhoso!!!! Essas sensaçoes de dor nos musculos, de frio, calor, o cheiro do verde, da chuva, enfim, esse contato com a mais perfeita obra divina tocada pelo homem foi recompensador!!!!!!!
Agora me perguntem se eu tenho saudade do tempo em que eu trabalhava de gravata e escutava um bando de gente com o rei na barriga reclamando de tudo o tempo todo!!!!! HA!! HA!!
criado por jaime.mario
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