18/11/08
Longe …

Faz tempo demais que não passo aqui pra poder contar tudo o que rolou neste período. Foram várias coisas, claro. Em geral, coisas boas, salvo uma pane elétrica que fez o quadro de eletricidade aqui de casa pegar fogo e nos deixou ua semana sem luz. Agora estou fazendo um curso de cozinha aqui na França; continuo no curso de francês e daqui um tempo terei um diploma que me credenciará a dar aulas de francês para estrangeiros; entre meus trabalhos, está rolando um restaurante onde eu sempre quis trabalhar, de um chef japonês que faz comida francesa e que tem, entre os cozinheiros, um americano, um brasileiro (eu), dois franceses e três japoneses. Bem legal esta experiência. Estou, como sempre, aprendendo muito!!
Enfim, escrevendo aqui até parece que não é tanta coisa, mas as entre-linhas é que enchem realmente a vida da gente. Ninguém apenas “sai de casa, vai pro trabalho, almoça, trabalha mais, volta pra casa, janta, assiste TV e dorme”. As pessoas podem até fazer isso durante o dia, mas o que conta mesmo é o que está entre todas estas coisas ou durante elas. E, neste aspecto, muito se passou nestes meses de ausência. Passou tanto que minha cabeça está maior, creio. É que me habituei a refletir e a assimilar tudo, tudo mesmo. Cada dia que passa, fico mais reflexivo e isso tem tido uma grande influência sobre o meu ser (o verbo, não o substantivo).
Uma grande conseqüência desta forma de ser que se apodera de mim é a sensação inevitável de distanciamento. Parece que, a cada dia, eu vou me afastando deste mundo. Desde já esclareço que a sensação é ótima e que tudo isso que estou escrevendo é um testemunho de alegria. Bom, agora continuando, eu tenho conhecido pessoas e mais pessoas. Não paro de conhecer pessoas. Até um casal de testemunhas de Jeová se tornou amigo da gente e nós até estudamos a Bíblia com eles, de vez em quando. Mais um parêntese pra dizer que não, nós não nos convertemos e eu continuo uma das pessoas mais incoerentes em relação a Deus e religiões (tenho me interessado por Budismo, mas de forma tão desconcertada como o estudo bíblico que de vez em quando faço). Enfim, voltando de novo ao tema, conhecendo cada vez mais pessoas tenho escutado cada vez mais histórias de vida e tenho cada vez mais me sentido distante de todas elas. Claro que criei afinidades e até certa amizade com algumas pessoas, o que não me impede de me sentir distante. Pior do que isso é perceber que hoje em dia me sinto também super distante de amizades vintenárias. Tudo bem que eu sempre fui um pouco diferente (o meu apelido na infância era Bola, então não dava pra ser igual), mas nunca me senti tão diferente como agora. E, antes, eu tentava de todas as formas me tornar igual (o que me fez cometer diversas besteiras). Agora, a distância me agrada e a diferença não dá pra ser mesurada em quilos ou de qualquer outra forma. E o tempo passa e a distância aumenta e aumenta e aumenta. Começo a ter receio de ficar tão longe, tão longe que mesmo uma visita se faça impossível.
De vez em quando isso dói só um pouco, porque a distância não anestesia o carinho e a saudade das pessoas. Talvez seja mesmo uma fuga. Mas talvez não.
criado por jaime.mario
14:39 — Arquivado em: 

Comentário por unsleepable — 16 16UTC dezembro 16UTC 2008 @ 8:42
“Aquele que inventou a distância não conhecia a dor da saudade… “