29/1/09
Eu queria ter nascido Ãndio
Antes de tudo, assistam este vÃdeo: watch?v=a2MyiJRtR_s
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Não, eu não estou acordando de um coma. Nem estou atrasado, pelo menos não na China. Hoje é a virada de ano chinesa. Vai embora o ano do rato (meu ano, segundo o horóscopo chinês) e começa o ano do búfalo.
Bom, em realidade, o ano do rato me aportou muita, muita coisa boa. Será que se fosso o ano do cavalo ou do gato, seria diferente? Não sei e, sinceramente, não me interesso. EU não gostaria que fosse diferente. EU não queria ter ganhado na loteria, não queria ter viajado mais, não gostaria de ter tido mais aventuras, não gostaria de ter falado mais, escutado mais, gritado mais, corrido mais, dormido mais, trabalhado mais, descansado mais, não gostaria de ter feito nada mais do que fiz. E nem menos. Meu ano foi perfeito. Como, aliás, tem sido desde que nasci. Às vezes, acho que não, mas passado um tempinho, percebo que sim. A vida tem sido tão perfeita dentro de todas as imperfeições que não dá pra eu me precupar com o fim do ano do rato.
Este ano do búfalo começa com tanta idéia na cabeça que só por isso ele já se mostra bom. Então, com a cabeça girando e girando em idéias, filosofias, conclusões e perguntas, curiosidades, vontades, que venha o búfalo - de preferência em forma de picanha!!!!
FELIZ ANO NOVO
Mãe e Toninho estiveram aqui. À parte das poucas dezenas de garrafas de vinhos tomados em menos de 15 dias, passeamos, cozinhamos, comemos, trocamos presentes, ensinamos e aprendemos, morremos de frio, carregamos casacos e casacos sobre os corpos, sentimos calor cada vez que entrávamos em um ambiente fechado, tomamos banho de mar de dentro do carro, atingido por ondas rebeldes em Saint Tropez, quase fomos levados pelo vento, acordamos tarde e dormimos cedo, xingamos até a Comunidade Européia pelo atraso de um dia na chegada das malas, mas acima de tudo, o que mais fizemos neste perÃodo foi rir. Rimos de piadas, de casos, de lembranças, de esperanças, de anedotas da vida. Rimos até chorar. E choramos, mesmo que sem lágrimas, na despedida, na certeza de que durante vários meses só voltaremos a nos ver através de plasmas e/ou cristais lÃquidos. Mas no balanço de tudo, ficaram várias belas recordações, até do que a gente deixou pra fazer na próxima vez, porque a próxima vez é que alivia a saudade. É assim, desde agora a próxima vez já começa. A próxima vez que eu for ao aeroporto recebê-los será só o último capÃtulo desta próxima vez. O primeiro capÃtulo começou no momento em que eles cruzaram o detector de metais da sala de embarque.
Enquanto isso, judeus e árabes se matam, namorados loucos matam namoradas no Brasil, navio brasileiro que faz cruzeiro pela nossa costa causa intoxicação em 340 passageiros por mal conservação da comida, a Inglaterra sofre horrores com a crise, vendo redes de lojas tradicionalÃssimas fechar portas e sua moeda desvalorizar horrores, na China continua impossÃvel de publicar algo na internet com a palavra “liberdade”, as chuvas afogam meus conterrâneos, a neve congela o porto de Marseille, em pleno Mediterrâneo e por aà vai. O mundo não pára mesmo. Tá todo mundo doido, até o tempo está doido (por culpa da loucura do homem, claro).
Num mundo assim, os momentos que vivemos são realmente um alÃvio pro coração, mas não me sai da cabeça a estória contada pela Phoebe (do seriado Friends) onde ela dizia que sua mãe colocava um crânio na mesa da ceia de natal pra ninguém esquecer que enquanto eles estavam ali comemorando, muita gente estava morrendo mundo a fora.
Acho que tenho andado com este crânio no bolso. No fim das contas, eu é que estou ficando louco. O pior é que daqui a pouco nem sei mais como vou escrever aqui, porque a insanidade chegou até à nossa lÃngua e já faz alguns dias que me transformei num semi-analfabeto (ou seria semianalfabeto??).
Nossa, pirei!!!!!!!!