27/5/09
PRESENTES
Sem razão nenhuma, comecei hoje a pensar em tudo que ganhei desde que atravessei o Atlântico e aportei aqui na Côte d’Azur. Ganhei muito peso, muito cabelo branco, muita aventura, muitas fotos, muitos livros, muito tempo de vida, muito susto com o preço da água, da luz e dos impostos, muita surpresa boa com o sistema social daqui, ganhei muitas pessoas (a melhor parte são as pessoas – eu ganhei pessoas que vieram do Canadá, da Rússia, da Espanha, da Alemanha, da Dinamarca, de várias partes da França, de Fortaleza, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, de Recife, do EspÃrito Santo, até de BH mesmo, com sotaque mineiro e tudo – enfim, pessoas maravilhosas as que eu ganhei), ganhei muito conhecimento, muito mesmo (outro dia uma amigo me apelidou de enciclopédia), ganhei uma outra lÃngua na minha lista de maneiras de me comunicar, ganhei e ganho cada dia que passa mais cumplicidade com a Michelle, ganhei até mais intimidade com meus pais (todos eles) e com alguns amigos que eu não imagina que fossem tão próximos, ganhei alguns euros jogando no Euromillons (pena que foi pouco, mas um dia ganho o prêmio principal), ganhei elogio e cumprimentos de um prÃncipe, ganhei uma infinidade de coisas que eu nunca imaginei, ganhei até algumas manias tÃpicas das gentes daqui, ganhei experiências singulares e ganhei muita estória pra contar. Ganhei tanta coisa que acaba sendo impossÃvel de relacionar tudo. Esta semana, sentindo uma dorzinha num dedo do pé, percebi que, depois de quase 37 anos de vida, ganhei meu primeiro calo, exatamente ali no dedo médio do pé esquerdo. Até isso a vida me deu neste tempos de França.
Â
É tanto presente que, um dia, vou me vestir de vermelho e sair distribuindo um pouco de tudo isso (afinal não devemos ser tacanhos), mas vou usar a chaminé de forma convencional e não como porta de entrada, hehe!!!
criado por jaime.mario
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